{"id":474,"date":"2026-07-08T10:43:00","date_gmt":"2026-07-08T13:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.hurbana.com\/blog\/?p=474"},"modified":"2026-07-06T17:24:03","modified_gmt":"2026-07-06T20:24:03","slug":"bocaiuva-a-rua-que-aprendeu-a-mudar-sem-esquecer-quem-foi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hurbana.com\/blog\/cidades\/bocaiuva-a-rua-que-aprendeu-a-mudar-sem-esquecer-quem-foi\/","title":{"rendered":"Bocai\u00fava: a rua que aprendeu a mudar sem esquecer quem foi."},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u201cEm 1959, eu vim para c\u00e1 e era um terreno baldio desde a rua Bocai\u00fava at\u00e9 a beira-mar, que n\u00e3o existia. Meus filhos brincavam aqui, na rua, correndo, os vizinhos andavam descal\u00e7os.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8211; Laudares Capella, 95 anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Seu Laudares Capella chegou para morar na quadra entre a Bocai\u00fava e o mar em 1959. N\u00e3o havia quase nenhum pr\u00e9dio e muito menos a Beira-Mar Norte. O aterro que daria origem \u00e0 avenida s\u00f3 seria conclu\u00eddo anos depois. Ali existia um grande espa\u00e7o aberto, de mato baixo e areia solta, onde crian\u00e7as e adultos atravessavam para tomar banho na Praia da Ba\u00eda Norte. Hoje, aos 95 anos, \u00e9 dessa Florian\u00f3polis que ele se lembra quando olha pela janela e v\u00ea a transforma\u00e7\u00e3o da Bocai\u00fava.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 apenas a cena mais recente de uma rua que coleciona cap\u00edtulos. Antes de se tornar um dos endere\u00e7os mais desejados da ilha, a Bocai\u00fava era um caminho de areia entre as ch\u00e1caras da antiga Praia de Fora. Chamava-se Rua S\u00e3o Sebasti\u00e3o at\u00e9 1897, quando passou a homenagear Quintino Bocai\u00fava, jornalista que participou da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Durante d\u00e9cadas, viveu de costas para o mar. As casas se voltavam para hortas e quintais, enquanto boiadas cruzavam a rua em dire\u00e7\u00e3o ao matadouro do Saco Grande. Poucos vest\u00edgios desse tempo permanecem, como a Igreja de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, o antigo elevat\u00f3rio de esgotos, conhecido como &#8220;Castelinho&#8221;, e a casa de ch\u00e1cara preservada no n\u00famero 1792.<\/p>\n\n\n\n<p>A rua mudou junto com Florian\u00f3polis. O que antes era um caminho de passagem transformou-se em um lugar onde a vida acontece o dia todo. Cafeterias, padarias, restaurantes, bares, servi\u00e7os, academias e com\u00e9rcio convivem a poucos metros, fazendo da Bocai\u00fava uma rua que pode ser vivida a p\u00e9. No fim da tarde, as mesas come\u00e7am a ganhar espa\u00e7o, as fachadas de vidro refletem o mar e as \u00e1rvores mais antigas seguem marcando presen\u00e7a entre edif\u00edcios que continuam redesenhando a paisagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o de conveni\u00eancia, localiza\u00e7\u00e3o e qualidade urbana explica por que a Bocai\u00fava se consolidou como um dos metros quadrados mais valorizados de Florian\u00f3polis. Foi o consultor Carlos Ferreirinha, respons\u00e1vel por projetos de reposicionamento da Oscar Freire, em S\u00e3o Paulo, quem comparou os 820 metros entre a Mauro Ramos e a Esteves J\u00fanior a uma esp\u00e9cie de Oscar Freire catarinense. A compara\u00e7\u00e3o ganhou for\u00e7a com o trabalho do Movimento Bocai\u00fava, que h\u00e1 mais de quinze anos re\u00fane moradores e comerciantes em a\u00e7\u00f5es de qualifica\u00e7\u00e3o da rua, da arboriza\u00e7\u00e3o \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas talvez o maior valor da Bocai\u00fava esteja justamente no equil\u00edbrio entre mem\u00f3ria e transforma\u00e7\u00e3o. Poucas ruas conseguem reunir, ao mesmo tempo, hist\u00f3rias de quem viu a cidade nascer e uma capacidade t\u00e3o constante de se reinventar. \u00c9 justamente neste encontro que a Hurbana passa a olhar ainda mais para a Bocai\u00fava. Mais do que acompanhar as mudan\u00e7as da rua, escolhemos escut\u00e1-la. A Casa Hurbana, por exemplo, surge como um espa\u00e7o de conversa, mem\u00f3ria e encontros, pensado para aproximar moradores, parceiros e a cidade das hist\u00f3rias que moldam esse endere\u00e7o t\u00e3o simb\u00f3lico.<\/p>\n\n\n\n<p>E essa \u00e9 apenas a primeira conversa. Nos pr\u00f3ximos meses, a Hurbana receber\u00e1 novas experi\u00eancias, encontros e iniciativas que continuar\u00e3o a valorizar a Bocai\u00fava sob diferentes olhares. Sempre partindo daquilo que faz uma rua se tornar, de fato, um lugar onde todo mundo quer estar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEm 1959, eu vim para c\u00e1 e era um terreno baldio desde a rua Bocai\u00fava at\u00e9 a beira-mar, que n\u00e3o existia. Meus filhos brincavam aqui, na rua, correndo, os vizinhos andavam descal\u00e7os.\u201d &#8211; Laudares Capella, 95 anos Seu Laudares Capella chegou para morar na quadra entre a Bocai\u00fava e o mar em 1959. 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